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1 de out. de 2023

Por que um grupo de torcedores da Indonésia está pedindo ajuda para torcidas do mundo

Em 2022, o jogo entre Arema FC e Persebaya Surabaya deixou 135 mortos depois de ação policial no estádio, e agora os torcedores querem justiça.

por

Cinthia Guimarães

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No dia 1º de outubro de 2022, uma tragédia marcou o jogo entre Arema FC e Persebaya Surabaya, pela primeira divisão nacional da Indonésia. Após perder a partida em casa, membros da torcida organizada “Aremania” entraram em campo ao final do jogo para, segundo os torcedores, demonstrar apoio ao time mesmo depois da derrota no derby, mas a polícia repreendeu fortemente a atitude e lançou gás lacrimogêneo cerca de 45 vezes em direção aos que entraram em campo e aos que estavam nas arquibancadas - o uso de gás lacrimogêneo para controlar o público é proibido pela FIFA.


CENAS DO CAOS DEPOIS DO JOGO ENTRE AREMA FC E PERSEBAYA SURABAYA. FOTO: AFP

De acordo com as informações da mídia indonésia, o estádio tinha mais pessoas do que a capacidade suportada e os portões estavam fechados, o que fez com que a tentativa de escapar do gás terminasse com torcedores pisoteados e 135 mortos no total, além de mais alguns feridos. A situação caótica se estendeu para o lado de fora, com queima e destruição de carros da polícia e focos de incêndio relatados em outras partes do estádio.


POLICIAIS LANÇANDO GÁS DE PIMENTA NAS ARQUIBANCADAS DEPOIS DO JOGO ENTRE AREMA FC E PERSEBAYA SURABAYA. FOTO: AFP

Depois da tragédia, as partidas da competição foram suspensas por uma semana e a direção do Arema FC publicou uma nota reconhecendo a sua falha no tratamento das vítimas e se dispondo a pagar indenização para as famílias:


"O Arema FC expressa suas profundas condolências pelo desastre em Kajuruhan (nome do estádio). A direção do Arema FC também é responsável pelo tratamento das vítimas, tanto as que morreram quanto as feridas. Como acompanhamento, a gerência do Arema FC também estabelecerá um centro de crises ou posto de informações às vítimas para receber relatórios e tratar as vítimas que estão hospitalizadas e doentes. Às famílias das vítimas, a direção do Arema FC pede imensas desculpas e está pronta para indenizar. A direção está pronta para aceitar sugestões de tratamento pós-desastre para que muitos sejam salvos."


Dias depois do ocorrido, o presidente do país decretou essa indenização e foram aplicadas as primeiras sanções aos envolvidos no caso - o chefe da polícia da cidade, Ferlo Hidayat, foi destituído e nove agentes foram suspensos. Ao mesmo tempo, o governo iniciou uma investigação sobre a atuação da polícia no caso, mais especificamente sobre o uso do gás lacrimogêneo. O fato se deu depois que grupos de defesa dos direitos humanos exigiram uma comissão independente e também que os torcedores do Arema FC criassem um centro improvisado para receber denúncias de truculência policial.


Mas depois de um ano do caso, um novo grupo de torcedores chamado Arek Malang, criado com dissidentes que não concordaram com as atitudes do clube na situação, afirma que até o momento alguns dos responsáveis pela ação violenta e pela negligência com a lotação do estádio continuam sem punições justas. Além disso, essa torcida afirma que o governo e a FIFA nunca se preocuparam realmente com as vítimas e nem em tomar as providências necessárias.


Em uma nota destinada para torcedores e ultras do mundo todo, a torcida fez um apelo por solidariedade e ajuda para disseminar o caso para órgãos públicos e mídias de todo o mundo.


O PELEJA teve acesso à carta do Arek Malang, leia na íntegra:


“Somos o Arek Malang, um grupo de torcedores indonésios que anteriormente apoiava o Arema FC. Decidimos abandonar o apoio à nossa equipe de futebol depois da tragédia no estádio Kanjuruhan, ocorrida em 1 de outubro de 2022, e pela atitude da direção do Arema FC em relação às vítimas e a todos os torcedores. Deixamos de fazer parte da Aremania (a torcida mais antiga), mas criamos os Arek Malang na sequência da nossa manifestação de 29 de janeiro de 2023, na sede da nossa equipe.


Em 1 de outubro de 2022, o Arema FC jogava contra o Persebaya Surabaya, um derby que terminou 3x2 a favor do clube visitante. Algumas centenas de membros dos Aremania invadiram o campo para incentivar os jogadores após a derrota, mas a polícia agrediu todos os que desceram para o campo. Pouco depois, gerou-se uma revolta e a polícia disparou dezenas de projéteis de gás lacrimogêneo para as bancadas, que ainda se encontravam ocupadas por torcedores. Entre estes, estavam crianças, idosos e mulheres. Os portões do estádio estavam fechados. Os torcedores que procuravam sair morreram asfixiados na sequência do pânico gerado pelo gás lacrimogêneo. O balanço final da tragédia foi de 135 vítimas mortais.


O próximo dia 1 de outubro assinalará o primeiro aniversário da morte destes nossos irmãos e irmãs. Esta comemoração é um momento importante para a família das vítimas e para nós. Até hoje não se realizou um julgamento justo no seguimento da tragédia ocorrida no estádio Kanjuruhan. As altas patentes da polícia que ordenaram o disparo de gás lacrimogêneo continuam livres. Os dirigentes da Liga de Futebol e da Federação nunca foram julgados. O estado deixou que tudo acontecesse e jamais se preocupou com as vítimas e com as suas famílias. E a FIFA, enquanto organização de futebol mundial, nunca sancionou ou puniu a federação de futebol do nosso país.


Apelamos à solidariedade dos ultras e dos torcedores de todo o mundo. Um ano depois, os responsáveis por esta tragédia estão em liberdade e por isso pedimos a sua ajuda para difundir a informação para a opinião pública e para os media de todo o mundo. Convidamos todos os grupos ultras a exibiram faixas com o slogan 'Justiça para as 135 vítimas Kanjuruhan' no próximo dia 1 de outubro ou nos dias seguintes a este triste aniversário. Por fim, convidamos também os ultras e os torcedores a manifestarem solidariedade com as famílias das vítimas que continuam a lutar por justiça. A violência policial sobre torcedores deve acabar.


Malang, 1 de setembro de 2023.


Se desejarem obter mais informações, contactem: tribunmelawan@ausche.org

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