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27 de mai. de 2023

O rosto do Che Guevara está em toda arquibancada brasileira e não é só pelo que você está pensando

Um dos rostos mais conhecidos do mundo, Che Guevara estampa camisas, bandeiras e faixas de torcidas brasileiras, mas o motivo não necessariamente está relacionado aos seus posicionamentos políticos.

por

Artur Magalhães

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Ironicamente ou não, a silhueta do rosto do argentino Ernesto Che Guevara se tornou uma das imagens mais conhecidas e um dos símbolos mais vendidos do mundo ocidental. Camisas, bonés, bandeiras, canecas e até tatuagens, a imagem do Che olhando friamente para o lado direito e com sua boina com uma estrela no centro, é familiar para qualquer um, frequentador de espaços de atuação política ou não. E se você costuma ir em estádios ou ambientes de organizadas, certamente já se deparou com a imagem na sua torcida ou na rival.


Che Guevara é uma das figuras mais debatidas da história recente da geopolítica. O argentino esteve ao lado de Fidel Castro e dos homens de 'Sierra Maestra’ no comando da luta pela libertação política e econômica da ilha de Cuba. A Revolução Cubana de 59 derrubou o ditador Fulgêncio Batista e instaurou um regime considerado socialista no país caribenho. E Che virou um símbolo da luta anti-imperialista e anticapitalista, sendo adotado por pessoas do planeta inteiro. Inclusive no futebol.


MARADONA TINHA O ROSTO DO CHE GUEVARA TATUADO NO BRAÇO.

REPRODUÇÃO


No contexto de organizadas do futebol brasileiro, uma união se destaca: a União Punhos Cruzados, que engloba algumas torcidas como a Jovem Fla (Flamengo), a Máfia Azul (Cruzeiro), a Independente (São Paulo), a Camisa 12 e a Guarda Popular (Internacional), a Torcida Jovem (Sport) e a Leões da TUF (Fortaleza). E foi ela que adotou oficialmente o símbolo de Che Guevara.


Mas essa escolha, geralmente associada aos valores políticos de uma esquerda, não significa uma posição clara da organizada em questões de valores e ideais. Pelo menos é o que as próprias defendem. As históricas manifestações contra o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, puxadas e endossadas por torcidas nos últimos anos, não tiveram a participação direta de nenhuma dessas organizadas “guevaristas”. As torcidas da União Punhos Cruzados adotaram neutralidade em relação aos debates políticos recentes, assim como outras tantas organizadas do país.

Em 2020, Washington Xará, então presidente da Comando Guerreiro do Eldorado, uma das principais ramificações da Máfia Azul do Cruzeiro, explicou ao ‘El País’ a adoção do símbolo do guerrilheiro:


“A decisão de colocar o Che Guevara como símbolo tem um misto de ideologia e identificação. Ele foi um grande guerrilheiro. Conhecemos a história do Che e sabemos que há uma grande identificação. Além de toda a história de luta, ele ainda nasceu em Rosário, na Argentina, onde o Atlético tomou uma surra na final da Copa Conmebol”.

BANDEIRA DA MÁFIA AZUL, DO CRUZEIRO. @TRAPOS1921


Do lado carioca, o chamado ‘Capitão’ Léo, na época líder da Jovem Fla, explicou a situação com uma defesa mais ideológica:


“A gente admirava a rebeldia do Che Guevara. Nossa caminhada é de luta em defesa dos mais fracos, pela liberdade de expressão e pela democracia. A Jovem surgiu para defender não só os rubro-negros, mas também para se somar às causas populares.”

A Jovem Fla teve grande atuação política durante a Ditadura Militar, na exigência das ‘Diretas Já’, e também participação ativa nos pedidos de Impeachment de Fernando Collor, em 1992. Mas, assim como as outras, também assumiu neutralidade em pautas políticas e ideológicas recentes.


JOVEM FLA COM BANDEIRÃO DO CHE GUEVARA NO MARACANÃ. TRIBUNA DA IMPRENSA LIVRE


Em outra entrevista ao jornal ‘El País’, Carlos Augusto Moyses, presidente da Camisa 12 do Inter, reiterou que o símbolo de Che Guevara é dissociado da questão política nos estádios. Segundo ele, “Somos (a Camisa 12) apolíticos, focados somente no Internacional. Nossa torcida não toma partido.” Segundo o presidente, as bandeiras com a imagem do revolucionário nem entram mais nos estádios. Apesar disso, a loja oficial da torcida ainda vende vários produtos que carregam o rosto do argentino.


Praticamente todas as torcidas de todos os clubes do mundo têm integrantes das mais diversas linhas políticas e ideológicas. Casos como o uso do Che Guevara pelas organizadas dessa união não definem necessariamente o direcionamento oficial de um clube ou de uma torcida. A dissociação da imagem de Che com os ideias que ele normalmente representaria é uma realidade tão concreta que torcedores podem bandeirar o rosto de um dos principais símbolos políticos da história em competições oficiais sem haver nenhum tipo de censura.

Em 2020, por exemplo, a torcida Resistência Alvinegra, do Atlético Mineiro, ganhou holofotes nacionais quando foi proibida de estender no Mineirão sua bandeira homenageando Marielle Franco, a vereadora assassinada pela milícia carioca em 2018. Segundo a CBF, diferentemente da imagem de Che Guevara, a bandeira da Marielle fere o regulamente que proíbe “manifestações político-religiosas” no estádio.


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