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12 de nov. de 2020

As mudanças no escudo do Atlético de Madrid que fizeram a torcida protestar

Esse texto faz parte da série Emblemáticos, que conta as histórias por trás dos principais símbolos futebolísticos do mundo.

por

Fernanda Lima

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OAtlético de Madrid, por si próprio, é um clube emblemático. Durante seus 117 anos de história, os rojiblancos resistiram às crises financeiras, rebaixamento, e ao incrível domínio do rival Real Madrid.


Embora tenha uma forte ligação com a cidade, as origens do Atlético não são exatamente Madrid. Em 1903, um grupo de estudantes bascos decidiu criar um clube de futebol para ser filial do Athletic de Bilbao, uma das primeiras forças espanholas. Foi então que nasceu o Athletic Club de Madrid.


A desvinculação dos bascos começou cerca de uma década depois e foi concretizada nos anos 20. A partir daí o ainda Athletic começou a disputar competições regionais e a ganhar notoriedade, se apresentando como um clube mais popular para os trabalhadores da cidade. Nessa época, eles já estavam no seu terceiro escudo.



O primeiro, mais simples, trazia as iniciais entrelaçadas no centro e era bem parecido com o do Athletic Bilbao. No segundo, uma bandeira com as cores típicas e as iniciais entrelaçadas envolviam uma bola de futebol. No terceiro, e mais conhecido hoje, alguns elementos importantes e cheios de significados foram adicionados: com outro formato, um urso e uma árvore medronheiro, símbolos de Madrid presentes também no brasão de armas da cidade, tiveram destaque na parte superior esquerda. Em volta deles, estrelas representando a constelação Ursa Maior.


ESCULTURA DO URSO E MEDRONHEIRO NA PRAÇA PORTA DO SOL, EM MADRID. FOTO: PIXABAY

Inicialmente com o azul e branco predominantes por inspiração no inglês Blackburn Rovers, o rojo, tradicional vermelho, só apareceu depois por dificuldade de encontrar uniformes nas cores desejadas. Com o passar do tempo, o rojiblanco foi se tornando conhecido e virou uma das marcas do clube. O apelido de Colchoneros, inclusive, tem a ver com as cores, porque eram as mesmas das capas dos colchões fabricados na cidade.


No final da década de 30, a ditadura de Franco começou a dominar o país e foi responsável por um dos capítulos mais tristes da história do Atlético. Muitos integrantes do clube foram mortos na Guerra Civil, fazendo com que a instituição ficasse completamente desestabilizada e afundada em dívidas. Para não fechar, se fundiu com o Aviación Nacional, time do exército, e se tornou o Athletic Aviación de Madrid, comandado pelas forças do governo. O clube do povo passava a ser instrumento dos ditadores. No período, Franco ordenou que a escrita do nome "Athletic" passasse a ser em espanhol: Atlético. O escudo também mudou para incluir elementos da Força Aérea:



As asas representavam os aviões e a coroa a soberania do governo.


Após o término da guerra e a separação dos times, nos anos 40, o Atlético voltou para seu nome e emblema já conhecidos. De lá para cá, apenas modernizações dos elementos, alterações nos formatos dos escudos, ora com a borda inferior redonda, ora com pontuda, variação das tonalidades das cores e maior protagonismo do urso e da árvore, que também mudaram de direção no último distintivo, lançado em 2017.


Essas alterações não foram bem aceitas pela torcida, que fez um abaixo-assinado e uma campanha na internet com a # ElEscudoNoSeToca para que o clube revertesse a decisão. Até um ex-jogador, Tomas Ujfalusi, zagueiro que jogou lá de 2008 a 2011, reclamou nas redes sociais. Os protestos não surtiram efeito e o escudo foi mesmo modificado.



Também foi em 2017 que o Atlético se mudou para o Wanda Metropolitano, seu novo estádio, e se despediu do histórico Vicente Calderón, casa tradicional desde 1966.


Durante todo o tempo de secas de títulos, crises, derrotas dolorosas para o rival e conquistas inesquecíveis como a LaLiga na temporada 13/14, os fanáticos estiveram ao lado do clube e se destacaram como uma das torcidas mais vibrantes da Europa, superando, por exemplo, a do Real Madrid. Se liga na festa dos colchoneros na partida contra o Bayern de Munique, pela Champions League 15/16:



E por falar em Champions League, essa competição é a maior obsessão do Atlético, que já bateu na trave algumas vezes na hora de levantar o caneco (1974, 2014 e 2016).


Mesmo com as frustrações, o lema Coraje e Corazón é reafirmado como parte da identidade e parece não deixar que o clube e seus torcedores tenham medo de lutar contra gigantes por um lugar ao sol.



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